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A doença da artéria carótida interna pode estar implicada em 20% dos acidentes vasculares cerebrais (AVC), com um risco de recorrência isquémica de 13% no 1º ano se o doente for tratado apenas de uma forma conservadora.

A doença carotídea sintomática é tradicionalmente referenciada para cirurgia vascular (endarterectomia), que proporciona uma redução na recorrência de AVC. Os benefícios da intervenção nos doentes com estenose carotídea assintomática (i.e., sem história de AVC) são menos evidentes. Contudo, a doença carotídea assintomática está também associada a risco isquémico (1-2%/ano), que será ainda maior nos doentes idosos ou com doença carotídea bilateral (4%/ano).

Os avanços na tecnologia endovascular possibilitaram o tratamento da doença carotídea de forma minimamente invasiva, através da intervenção carotídea percutânea. Apesar de ser considerada uma alternativa à endarterectomia, a intervenção percutânea tem-se consolidado no tratamento da doença carotídea. Esta técnica percutânea deverá ser o procedimento preferido no caso de risco cirúrgico elevado, anatomia do pescoço desfavorável, artéria carótida interna de difícil acesso (lesão demasiado proximal ou distal) e restenose carotídea após endarterectomia.

Possíveis indicações para intervenção carotídea (endarterectomia/intervenção percutânea):

  • Doença Carotídea Sintomática [AIT/AVC < 6 meses]
    • se estenose carotídea ≥ 50% (preferencialmente nas primeiras 2 semanas do evento);
  • Doença Carotídea Assintomática [sem história de AVC/AIT]
    • se estenose carotídea de ≥ 80%.

A doença vascular cerebral associa-se a elevada morbimortalidade, sobretudo em Portugal. Ao longo dos anos, a UNIC tem vindo a diferenciar-se em várias estratégias de prevenção da doença cerebrovascular, para melhor servir a comunidade da região Centro do País. A UNIC tem uma vasta experiência na intervenção carotídea, tendo sido realizados até à data mais de 400casos no total.

Dado o possível risco de AIT/AVC periprocedimento (cirúrgico ou percutâneo), é fundamental a utilização de equipas especializadas e o uso sistemático de dispositivos de proteção embólica cerebral (filtro, MoMa®). Esta metodologia tem permitido alcançar taxas AVC periprocedimento inferiores às descritas para a boa prática cirúrgica (<3% dos casos na doença carotídea assintomática e <6% na doença carotídea sintomática), cumprindo assim as recomendações internacionais sobre este tema e garantindo um procedimento seguro para o doente. Mais recentemente, a equipa de Cardiologia de Intervenção tem ganho experiência na angioplastia carotídea por via radial, de forma a proporcionar os melhores resultados ao doente. Assim, evitando as potenciais complicações do acesso femoral (hematoma, pseudo-aneurisma, hemorragia retroperitoneal) e diminuído o risco de AVC periprocedimento.